Um empresário de Balneário Camboriú abre o ChatGPT e digita "quem é a melhor empresa de comércio exterior perto de Itajaí". Não abre o Google, não pede indicação num grupo de WhatsApp, pergunta direto pra IA, e decide boa parte do julgamento inicial pela resposta que recebe. Se a sua empresa não aparece nessa resposta, ou pior, aparece descrita errado, o concorrente que apareceu certo já saiu na frente, e você nem soube que a disputa aconteceu.
Isso deixou de ser cenário hipotético de artigo de tendência. É comportamento medido, documentado por pesquisa de mercado recente, e está mudando mais rápido do que a maioria das empresas de Santa Catarina percebeu. Este artigo explica o que são GEO e AEO, por que isso já é operação e não modismo, e o que otimizar primeiro para aparecer na resposta certa.
O que são GEO e AEO
GEO (Generative Engine Optimization) é o termo cunhado por pesquisadores da Universidade de Princeton, Georgia Tech, do Allen Institute for AI e do IIT Delhi, num estudo publicado em 2023 que definiu pela primeira vez um framework de otimização para visibilidade dentro de engines generativos, os "motores de busca" que respondem com texto sintetizado por IA (ChatGPT, Gemini, Perplexity) em vez de lista de links. A diferença central para o SEO tradicional: SEO otimiza para posição num ranking de links, GEO otimiza para aparecer dentro do parágrafo que a IA escreve como resposta. No próprio estudo, os pesquisadores testaram nove estratégias de otimização de conteúdo e mediram até 40% de ganho de visibilidade dentro das respostas geradas, dependendo da estratégia usada.
AEO (Answer Engine Optimization) é o termo mais aplicado no mercado para a prática de estruturar conteúdo para ser extraído e apresentado como resposta direta por qualquer motor de resposta, incluindo os AI Overviews do próprio Google, assistentes de busca e chatbots. Se o SEO clássico pergunta "como eu ranqueio", o AEO pergunta "como eu me torno a resposta".
Na prática, GEO e AEO andam juntos: o primeiro é mais associado ao conteúdo dentro de modelos de linguagem generativa, o segundo à estrutura que facilita a extração da resposta, mas os dois competem pelo mesmo prêmio, ser a fonte que a IA decide citar ou parafrasear.
Por que isso deixou de ser tendência e virou operação
Três dados, de fontes diferentes, apontam para a mesma direção.
A Gartner projetou, em relatório de fevereiro de 2024, uma queda de 25% no volume de busca em motores de busca tradicionais até 2026, à medida que buscadores de IA e assistentes virtuais absorvem consultas que antes iam para uma caixa de busca com resultado em lista de links.
A SparkToro, com dado de clickstream da Similarweb (estudo de Rand Fishkin), mediu que 68% das buscas no Google nos primeiros meses de 2026 terminaram sem nenhum clique, contra 60,45% em 2024 e cerca de 45% há dez anos. Quando o Google mostra um AI Overview (resposta gerada por IA no topo da busca), a taxa de clique num resultado tradicional cai ainda mais. Em resumo: a pessoa está recebendo a resposta antes de chegar a qualquer site, inclusive o seu.
Para quem vende para outras empresas, o comportamento já migrou de vez. Pesquisa da G2 publicada em 2026, com mais de 1.000 compradores B2B de software, mostrou que 51% já começam a pesquisa de compra por um chatbot de IA com mais frequência que pelo Google, contra 29% em abril de 2025, um salto em menos de um ano. 69% dos compradores da mesma pesquisa afirmaram ter escolhido um fornecedor diferente do que planejavam originalmente, por causa da orientação recebida do chatbot de IA. E 85% disseram pensar melhor de uma empresa quando um chatbot a menciona numa recomendação.
Junte os três dados: menos gente chega ao seu site pela busca tradicional, e de quem decide comprar de outra empresa, mais da metade já deixa a IA influenciar a escolha antes de falar com qualquer vendedor. Não aparecer na resposta não é uma oportunidade perdida discreta, é ficar de fora da concorrência sem nem saber que ela aconteceu.
Como os modelos de IA decidem quem citar
Os modelos de linguagem não publicam a fórmula exata de como escolhem o que citar, e qualquer empresa que prometer "fórmula garantida" está vendendo o que não sabe. Mas o comportamento observado converge em alguns pontos:
- Conteúdo com afirmação factual clara, de preferência com dado e fonte, tem mais chance de ser reaproveitado do que opinião solta ou texto genérico de propaganda.
- Estrutura organizada (títulos claros, listas, blocos de pergunta e resposta) facilita o modelo extrair a informação de forma correta, porque é assim que o texto é "lido" pela ferramenta que resume.
- Consistência entre fontes pesa: quando a mesma informação aparece de forma coerente em vários lugares (o próprio site, avaliações, matérias, diretórios), o modelo tende a tratar aquilo como mais confiável do que uma afirmação isolada.
- Menção em fonte terceira importa mais do que parece. Na mesma pesquisa da G2, 45% dos compradores B2B disseram que citação vinda de site de avaliação (review) é o sinal que mais gera confiança numa resposta de IA, mais do que a própria palavra do site do fornecedor.
O que otimizar primeiro
Para uma empresa de Itajaí, Balneário Camboriú ou Navegantes que nunca tratou isso como prioridade, a lista de "otimizar tudo" é inútil. A ordem prática é:
- Garanta que a informação básica esteja correta e igual em todo lugar. Nome da empresa, área de atuação, cidade, diferencial, precisam estar escritos do mesmo jeito no site, no Google Business Profile e em qualquer diretório do setor. Modelo de IA que encontra informação contraditória tende a não citar ninguém com confiança.
- Escreva conteúdo que responde pergunta direta, não conteúdo institucional genérico. Bloco de perguntas frequentes, com resposta objetiva logo abaixo da pergunta, é o formato que mais se parece com o que um mecanismo de resposta reaproveita.
- Busque menção em fonte terceira, avaliação em plataforma do setor, matéria de imprensa local, diretório de empresas de Santa Catarina, já que consenso entre fontes pesa mais do que a própria empresa falando sobre si.
- Teste você mesmo, com frequência. Pergunte ao ChatGPT e ao Gemini "quem é a melhor empresa de [seu setor] em [sua cidade]" hoje, anote a resposta, repita em algumas semanas. Isso não é vaidade, é a única forma direta de medir se o trabalho está funcionando, porque não existe ainda um "Google Analytics" maduro para resposta de IA.
O que costumam perguntar
Não. GEO e AEO competem por um espaço diferente (a resposta gerada por IA), mas o SEO tradicional continua relevante para quem ainda busca em lista de links, que, segundo a SparkToro, ainda é a maioria das buscas, mesmo com a taxa de zero-clique subindo. O caminho é somar as duas frentes, não trocar uma pela outra.
Vale mais ainda. Pesquisa da G2 mostrou que uma parcela relevante de compradores B2B já compra de fornecedor que nunca tinha ouvido falar antes, por indicação de um chatbot de IA. Para uma PME de Santa Catarina competindo com empresa maior e com mais orçamento de mídia, aparecer bem numa resposta de IA é uma das poucas formas de disputar atenção sem depender só de tamanho de verba.
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Fundador da leanconsult e criador do Método LEAN. São 17 anos de marketing B2B, construídos em Brasília e em mercados exigentes: marketing estratégico, branding, growth e geração de demanda, com passagens por tecnologia, SaaS, e-commerce e eventos corporativos, além da liderança de equipes. Trabalha na fronteira entre marketing, vendas e resultado de negócio.
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